
Alexandre Baltazar (1989) nasceu no Rio de Janeiro, vive e trabalha na cidade.
Em 2007 ingressou no curso de Comunicação Social, onde teve acesso a pensadores como Noam Chomsky, Milton Santos, Stuart Hall e Marilena Chauí, pavimentando o pensamento crítico que já vinha sendo construído desde sua juventude apoiado principalmente na cultura punk, apresentada pelo seu pai.
Seu interesse pelas artes visuais se deu desde sempre muito mais pela apresentação e produção de idéias e poéticas do que produtos visuais em si. Talvez pela sua limitação técnica com desenho, talvez pela sua limitação física do daltonismo.
"O produto é o excremento da ação", diria o zine anarquista estadunidense Harbinger.
Mas não que seus trabalhos não tenham refinamento estético. A proximidade com o design gráfico, curso que viria a ingressar em 2009 na PUC-Rio, condiciona sua produção e suas escolhas a terem até mesmo o caos planejado e sob algum controle.
Desde 2011 se dedica, através da arte, a entender, interpretar e gerar suas próprias rupturas e tensões poéticas a partir de observações de episódios banais, ou absurdos, das vidas pós-modernas. Entender nossa existência, e todas as contradições, relações e acordos firmados pra sobrevivência como sociedade.
Depois de coletivas em lugares como o Hospital Psiquiátrico Julio de Matos em Lisboa e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, fez em 2018 sua primeira individual na Galeria Quadra, com quem teve vínculo de representação até o início de 2022, entitulada Estilhaços de Flores / Jardins de Vidraças.
Participou de agosto de 2022 a outubro de 2023 do programa de discussão e acompanhamento de projetos com o artista Andre Komatsu.
Em 2023 foi convidado pela Galeria ReOcupa a participar da mostra coletiva REFUNDAÇÃO, na Ocupação 9 de Julho do MSTC, em São Paulo, e em 2024 no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto. Hoje integra o coletivo e grupo de ação da galeria.
Em 2007 ingressou no curso de Comunicação Social, onde teve acesso a pensadores como Noam Chomsky, Milton Santos, Stuart Hall e Marilena Chauí, pavimentando o pensamento crítico que já vinha sendo construído desde sua juventude apoiado principalmente na cultura punk, apresentada pelo seu pai.
Seu interesse pelas artes visuais se deu desde sempre muito mais pela apresentação e produção de idéias e poéticas do que produtos visuais em si. Talvez pela sua limitação técnica com desenho, talvez pela sua limitação física do daltonismo.
"O produto é o excremento da ação", diria o zine anarquista estadunidense Harbinger.
Mas não que seus trabalhos não tenham refinamento estético. A proximidade com o design gráfico, curso que viria a ingressar em 2009 na PUC-Rio, condiciona sua produção e suas escolhas a terem até mesmo o caos planejado e sob algum controle.
Desde 2011 se dedica, através da arte, a entender, interpretar e gerar suas próprias rupturas e tensões poéticas a partir de observações de episódios banais, ou absurdos, das vidas pós-modernas. Entender nossa existência, e todas as contradições, relações e acordos firmados pra sobrevivência como sociedade.
Depois de coletivas em lugares como o Hospital Psiquiátrico Julio de Matos em Lisboa e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, fez em 2018 sua primeira individual na Galeria Quadra, com quem teve vínculo de representação até o início de 2022, entitulada Estilhaços de Flores / Jardins de Vidraças.
Participou de agosto de 2022 a outubro de 2023 do programa de discussão e acompanhamento de projetos com o artista Andre Komatsu.
Em 2023 foi convidado pela Galeria ReOcupa a participar da mostra coletiva REFUNDAÇÃO, na Ocupação 9 de Julho do MSTC, em São Paulo, e em 2024 no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto. Hoje integra o coletivo e grupo de ação da galeria.
TEXTOS:
"Estilhaços de flores / Jardins de vidraças"
(Ludimilla Fonseca, 2018)
Com pincéis finos e traços aparentemente despretensiosos, Alexandre Baltazar cria uma codificação híbrida entre pintura e desenho. Suas composições de nanquim sobre papel, sempre em preto e branco, dão espaço aos elementos banais e inquietantes do dia-a-dia. Estes elementos aparecem justapostos a palavras ou frases (que soam como poesia, mas têm etimologia e efeito subversivos) revelando a atitude esmiuçadora do artista sobre as situações do cotidiano. Ele é, antes de tudo, um atento observador do seu tempo.
Como ele mesmo diz, sua mente visita todo dia, incansavelmente, lugares e situações que todos nós conhecemos, mas não botamos reparo. Ao emoldurar imagens ordinárias da vida urbana contemporânea, Baltazar nos obriga a reparar na sociedade adoecida que construímos e nos nossos relacionamentos (igualmente disfuncionais). Suas incursões diárias ora visitam lugares áridos, espinhosos e desconfortáveis, ora lugares doces e ensolarados. Mas Baltazar não é prosaico. Ele é um crítico. E nos provoca o tempo todo.
É essa aposta constante no desconcerto que torna suas obras tão atraentes. Exemplo dessa idiossincrasia é a série “Estilhaços de flores / Jardins de vidraça”, que dá título à exposição. Com o isolamento de objetos cotidianos e a inclusão das frases datilografadas, as obras nos desafiam não só do ponto de vista formal, mas também do narrativo. Elas se revelam exatamente no contraponto entre poema e crítica social, entre política e sentimento, entre banal e absurdo, entre amor e protesto. O mesmo se observa nos dípticos “Parede com olhos” e “Não-verdades”, e no políptico “Tempestade nenhuma vai nos impedir de celebrar um sol de todos”.
No conjunto dos trabalhos apresentados, podemos destacar dois grupos de componentes recorrentes. O primeiro, composto por grades, arames, cones, câmeras, muros e paredes – elementos limitadores, cerceadores, repressivos, que segregam, obstruem e censuram: distopia. O segundo, composto por escorregadores, gangorras, escadas, carrinhos de compras e um sofá: elementos lúdicos, que misturam consumo e prazer, lazer e tédio, diversão e solidão – utopia. Trata-se de um conjunto que escancara o conflito entre a promessa libertária da contemporaneidade e o efeito desumanizador do capitalismo e da indústria cultural.
Não é exagero dizer que Baltazar faz parte “daquele” grupo de artistas que têm a capacidade de não levar a arte muito a sério. Uma apreciação renovada pela relação entre arte e vida cotidiana faz de sua pintura a expressão do completo tédio com relação à estética como a conhecemos. Há uma economia expressiva nas obras que questiona o próprio fazer artístico: assume a característica auto referencial da arte contemporânea para, ao mesmo tempo, questioná-la. É como se o artista operasse num plano suspenso onde arte, comunicação, filosofia (e um certo gosto pela ironia) se cruzam. Baltazar tem um fazer artístico livre de qualquer entrave, é um artista que sabe utilizar cada sugestão e (sob pena de estarmos sendo reducionistas), se quisermos caracterizar sua arte como protesto, que seja contra o caráter frouxamente improvisado do nosso tempo.
(Ludimilla Fonseca, 2018)
Com pincéis finos e traços aparentemente despretensiosos, Alexandre Baltazar cria uma codificação híbrida entre pintura e desenho. Suas composições de nanquim sobre papel, sempre em preto e branco, dão espaço aos elementos banais e inquietantes do dia-a-dia. Estes elementos aparecem justapostos a palavras ou frases (que soam como poesia, mas têm etimologia e efeito subversivos) revelando a atitude esmiuçadora do artista sobre as situações do cotidiano. Ele é, antes de tudo, um atento observador do seu tempo.
Como ele mesmo diz, sua mente visita todo dia, incansavelmente, lugares e situações que todos nós conhecemos, mas não botamos reparo. Ao emoldurar imagens ordinárias da vida urbana contemporânea, Baltazar nos obriga a reparar na sociedade adoecida que construímos e nos nossos relacionamentos (igualmente disfuncionais). Suas incursões diárias ora visitam lugares áridos, espinhosos e desconfortáveis, ora lugares doces e ensolarados. Mas Baltazar não é prosaico. Ele é um crítico. E nos provoca o tempo todo.
É essa aposta constante no desconcerto que torna suas obras tão atraentes. Exemplo dessa idiossincrasia é a série “Estilhaços de flores / Jardins de vidraça”, que dá título à exposição. Com o isolamento de objetos cotidianos e a inclusão das frases datilografadas, as obras nos desafiam não só do ponto de vista formal, mas também do narrativo. Elas se revelam exatamente no contraponto entre poema e crítica social, entre política e sentimento, entre banal e absurdo, entre amor e protesto. O mesmo se observa nos dípticos “Parede com olhos” e “Não-verdades”, e no políptico “Tempestade nenhuma vai nos impedir de celebrar um sol de todos”.
No conjunto dos trabalhos apresentados, podemos destacar dois grupos de componentes recorrentes. O primeiro, composto por grades, arames, cones, câmeras, muros e paredes – elementos limitadores, cerceadores, repressivos, que segregam, obstruem e censuram: distopia. O segundo, composto por escorregadores, gangorras, escadas, carrinhos de compras e um sofá: elementos lúdicos, que misturam consumo e prazer, lazer e tédio, diversão e solidão – utopia. Trata-se de um conjunto que escancara o conflito entre a promessa libertária da contemporaneidade e o efeito desumanizador do capitalismo e da indústria cultural.
Não é exagero dizer que Baltazar faz parte “daquele” grupo de artistas que têm a capacidade de não levar a arte muito a sério. Uma apreciação renovada pela relação entre arte e vida cotidiana faz de sua pintura a expressão do completo tédio com relação à estética como a conhecemos. Há uma economia expressiva nas obras que questiona o próprio fazer artístico: assume a característica auto referencial da arte contemporânea para, ao mesmo tempo, questioná-la. É como se o artista operasse num plano suspenso onde arte, comunicação, filosofia (e um certo gosto pela ironia) se cruzam. Baltazar tem um fazer artístico livre de qualquer entrave, é um artista que sabe utilizar cada sugestão e (sob pena de estarmos sendo reducionistas), se quisermos caracterizar sua arte como protesto, que seja contra o caráter frouxamente improvisado do nosso tempo.
Dois trabalhos são icônicos neste sentido: “Cópia de mim mesmo” e o inusitado “Mature woman worried about the future isolated on white background”. Como ready-made bidimensionais, eles condensam os tópicos do deslocamento de contexto (que transforma o objeto cotidiano em objeto artístico), o questionamento sobre a legitimidade da figura do artista e o (mal) estar na contemporaneidade.
Considero “Mature woman” um trabalho “inusitado”, porque é o único que traz a figura da mulher, nos direcionando para a posição incômoda e reflexiva que é estar no mundo. Há também uma ironia que sobrepõe a tradição da pintura de retrato, com seus fundamentos de personificação e memória, e a generalização impessoal do banco de imagens na internet. Da contextualização histórica pra descontextualização contemporânea.
Contudo, é importante destacar que essa análise crítica é motivação e não objetivo de Baltazar. Ele deixa claro que o questionamento da arte é reflexo do questionamento sobre a vida, nossos desejos e valores. É evidente que o artista está interessado na multiplicidade de leituras possíveis: pode ser uma história de amor sem final ou um manifesto sobre a urgência de uma transformação político-cultural. Não importa: ele quer (ainda que de maneira inconsciente) gerar envolvimento. Por isso, impregna com enorme sentimento tudo que pinta - embora este seja um sentimento muito mais provocador e ambíguo do que reconfortante.
Como via de regra, ele procura criar situações que nos são familiares. E, se num primeiro momento elas nos fazem sorrir, no instante seguinte, nos atingem como pedradas. Todo mundo, em alguma medida, sente e sabe que há aspectos da existência contemporânea que são inaceitáveis. Mas parece que ninguém faz nada a respeito. Baltazar é uma das poucas exceções. Ele interroga: “você está vendo isso, né?”. A pedra bate e quebra nosso teto de vidro."

















CV:
INDIVIDUAIS:
2018
Estilhaços de Flores / Jardins de Vidraças
Curadoria: Ludimilla Fonseca
Galeria Quadra, Rio de Janeiro
2018
Estilhaços de Flores / Jardins de Vidraças
Curadoria: Ludimilla Fonseca
Galeria Quadra, Rio de Janeiro
COLETIVAS/FEIRAS:
2024
Refundação - itinerância I
Curadoria coletiva
Museu da Incondifência, Ouro Preto - MG
Miolo
Curadoria: Tainan Cabral
Galeria Cavalo, Rio de Janeiro - RJ
Nem só o corpo veste a alma
Curadoria: Dux Pacífico e Tropigalpão
Tropigalpão, Rio de Janeiro - RJ
Nova Bella 86
Curadoria: Daniela Avellar e Lucas Alberto
Fábrica da Conde de Leopoldina, Rio de Janeiro - RJ
sel.VA - Various Artists
Curadoria: Lucas Cabu
Selva Gallery, Brooklyn - NY
2023
Refundação
Curadoria coletiva
Galeria Reocupa - Ocupação 9 de Julho
São Paulo
https://artebrasileiros.com.br/arte/exposicoes/estratagemas-da-resistencia-ao-fascismo/
https://www.frieze.com/article/occupy-sao-paulo-240-column
Revoada
Curadoria coletiva
Casa Voa, Rio de Janeiro
2022
Elipses
Curadoria: Lucas Velloso
Espaço Cultural Oasis, Rio de Janeiro
2021
SP-Arte - Galeria Quadra
2020
ArtRio - Galeria Quadra
Curadoria: Julie Dumont
2019
Fruto
Curadoria coletiva
Galeria Carambola, Rio de Janeiro
2017
Arte Core
Curadoria: Marco Andre Tosatth Schwarzstein
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
Casca
Curadoria coletiva
Galeria Carambola, Rio de Janeiro
Refração
Curadoria: Marcelo Duarte
Centro Cultural João Nogueira - Imperator, Rio de Janeiro
Room Art Fair Madrid, Espanha
2016
Conjunção
Curadoria: Marcelo Duarte
Galeria Wozen, Lisboa, Portugal
Ponto cego
Curadoria: Antonio Bokel, João Sanchez e Marcelo Macedo
Galeria Quintal, Estúdio Baren, Rio de Janeiro
2015
Deslocado
Curadoria: Marcelo Duarte e Sandro Resende
P31, Hospital Julio de Matos, Lisboa, Portugal
2014
Atemporal III
Curadoria: Antonio Bokel
Galeria Graphos:Brasil, Rio de Janeiro
Atemporal
Curadoria: Antonio Bokel
Espaço Atemporal, Rio de Janeiro
Matilha II
Curadoria: Marcelo Duarte
Galeria Graphos:Brasil, Rio de Janeiro
2024
Refundação - itinerância I
Curadoria coletiva
Museu da Incondifência, Ouro Preto - MG
Miolo
Curadoria: Tainan Cabral
Galeria Cavalo, Rio de Janeiro - RJ
Nem só o corpo veste a alma
Curadoria: Dux Pacífico e Tropigalpão
Tropigalpão, Rio de Janeiro - RJ
Nova Bella 86
Curadoria: Daniela Avellar e Lucas Alberto
Fábrica da Conde de Leopoldina, Rio de Janeiro - RJ
sel.VA - Various Artists
Curadoria: Lucas Cabu
Selva Gallery, Brooklyn - NY
2023
Refundação
Curadoria coletiva
Galeria Reocupa - Ocupação 9 de Julho
São Paulo
https://artebrasileiros.com.br/arte/exposicoes/estratagemas-da-resistencia-ao-fascismo/
https://www.frieze.com/article/occupy-sao-paulo-240-column
Revoada
Curadoria coletiva
Casa Voa, Rio de Janeiro
2022
Elipses
Curadoria: Lucas Velloso
Espaço Cultural Oasis, Rio de Janeiro
2021
SP-Arte - Galeria Quadra
2020
ArtRio - Galeria Quadra
Curadoria: Julie Dumont
2019
Fruto
Curadoria coletiva
Galeria Carambola, Rio de Janeiro
2017
Arte Core
Curadoria: Marco Andre Tosatth Schwarzstein
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
Casca
Curadoria coletiva
Galeria Carambola, Rio de Janeiro
Refração
Curadoria: Marcelo Duarte
Centro Cultural João Nogueira - Imperator, Rio de Janeiro
Room Art Fair Madrid, Espanha
2016
Conjunção
Curadoria: Marcelo Duarte
Galeria Wozen, Lisboa, Portugal
Ponto cego
Curadoria: Antonio Bokel, João Sanchez e Marcelo Macedo
Galeria Quintal, Estúdio Baren, Rio de Janeiro
2015
Deslocado
Curadoria: Marcelo Duarte e Sandro Resende
P31, Hospital Julio de Matos, Lisboa, Portugal
2014
Atemporal III
Curadoria: Antonio Bokel
Galeria Graphos:Brasil, Rio de Janeiro
Atemporal
Curadoria: Antonio Bokel
Espaço Atemporal, Rio de Janeiro
Matilha II
Curadoria: Marcelo Duarte
Galeria Graphos:Brasil, Rio de Janeiro